A Arte existe porque a vida não basta
- encontraponto
- 30 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Última mensagem do ano de 2025 nesse espaço virtual do Encontraponto, quero escrever algumas palavras sobre a necessidade da arte e da poesia. Sem pretensões estéticas. Apenas um convite aos leitores/as.
Sem a arte, a vida, essa luta permanente — a simples e fatigante sobrevivência que arrasta a existência da maioria das pessoas —, sem a arte, repito, a vida seria o contrário, um campo de concentração, um inferno.
Mas a maioria luta pelo ar, pela água, pelo prazer de existir, de mover o corpo, de soletrar, de cozinhar, de cantar, de amar. Nos bailes populares, nas brincadeiras, nas piadas, nas festas, em tudo estão as provas da resistência dentro da luta pela conservação da vida; da beleza do que não se deixa subjugar; da invenção das artes do fazer. Em cada ser, a potência de ser mais, como nos lembra o nosso maior pedagogo popular.
A experiência prático-espiritual do mundo, sabemos, está na base da arte. Ferreira Gullar (1930-2016), poeta maranhense de um mundo cruel sob o domínio das oligarquias assentadas no latifúndio, ativo militante do Partido Comunista Brasileiro, concedeu uma entrevista no vídeo "O canto e a fúria" para falar da sua poesia. Disponibilizamos aqui um pequeno trecho; no vídeo dedica-se a falar de sua transformação em poeta, poetizando na intimidade com os fatos da vida cotidiana e do trabalho (Luta Corporal, 1954). Sem este chão do cotidiano e do trabalho não poderia para alçar vôos mais altos, ao empenho poético contra a ditadura militar e o imperialismo (Dentro da Noite Veloz, 1975).
Há quem sofra a violência do mundo sem a convivência, isolado dentro de si, prisioneiro em imaginário quarto do qual muitas vezes não consegue sair. O trecho do vídeo “O canto e a fúria” é especialmente dedicado a ele ou ela, com o desejo de saúde e paz para o vindouro 2026:
O vídeo foi produzido e dirigido por Zelito Viana, em 1996. Disponível na plataforma Prime.


